segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Primeiro Querer

Em casa não me sentia à vontade. Tudo aquilo que me deveria pertencer, pois pertencia à minha família era por mim visto com descrédito. Havia exeções, como meu quarto e a garagem. Nesse dia que busco relatar, eu estava na garagem, em busca de uma atividade que pudesse camuflar toda a ociosidade de minha infância. Não a encontrando, deitei-me sob o azulejo frio e permiti que minha imaginação fluida e impertinente emergisse. Ao abrir os olhos vi duas mãos, pequeninas e gordinhas sobre mim. Depois veio a cabeça toda, e dois olhos muito grandes a me encarar. Apreciei o momento... Quis levantar-me, embora hesitante, mas sem que pudesse fazê-lo as mãos gordas e os olhos grandes tinham se movido. Naquele momento perambulavam sobre a grama verde e em direção à porta da cozinha. Um homem alto e meu pai o acompanhavam. Tínhamos visita.

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