Foi no dia do aniversário de tia Bê que passei a olhar com interesse para as bebidas. Ainda não as degustava mas apreciava todo seu o teor alcoólico pelo estonteante efeito que causava a homens lúcidos. Meu tio, bigodudo e bem composto, chegou a um estado entre divertido e lastimável. Eu olhava para os copos de vinho e caipirinha como se a eles atribuisse determinada força. Desejei-os secretamente por muito tempo, mas minha retidão na infância impedira qualquer apreciação que não fosse imaginada.
Também desejei a dança. Achava-me miúda demais e desprovida do encantamento das mulheres formadas. Por isso não dançava, gostava mesmo é de observá-las de modo recluso.
As danças, cantos e despudores pareciam muito distantes.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
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