terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

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Victor estudava muito, fazia direito. Não me surpreendi quanto me contou, achei promissor porque falava bem e passava uma imagem correta de si. No entando, sua retidão o tirou dos grandes combates.
Eu estava contente com nosso namoro. Contemplava-no e me deliciava somente por poder olhá-lo. Foi bom.
Victor era mestre em sutilezas e, certo dia, havia preparado algo para nós, um jantarzinho sem requintes mas promissor. Não jantei com ele. Ele não jantou. Quando cheguei em seu apartamento, a mesa posta, um filme sobre a mesinha da sala, sua camisa em cima da cama, muito bem passada e a água gotejando no chuveiro.
Julguei ser parte da surpresa. Ele sempre gostara de mistérios. Esperei, 10, 20, 30 minutos...
O jantar estava frio, assim como já estaria seu corpo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Encontro

Meu primeiro encontro, não pontual e desprovido de seu sentido de gala, foi aquele descrito por mim anteriormente. Um encontro de mim comigo mesma, porque não soube naquele momento se o menino gordinho pôde, sequer por um instante, fazer suposições e constituições de nós como eu fizera. Encontrei-me com uma de minhas faces, até então silenciosa. No entanto, naquela ocasião não havia clareza. Jamais podia imaginar quão inquieta se tornaria essa nova face: novos encontros vieram.
Há 7 anos conheci Victor, e sobre esse encontro receio ter muito mais a contar.
Nossos carros pararam lado a lado e eu, como de costume, divagava. Olhando pela janela do meu carro e dentro da dele, notei o que era óbvio. Sua beleza, sim, nada tão óbvio. Mas me refiro primeiramente a uma ansiedade expressa de modo delicado. Como descrevê-la?
Havia um incômodo em sua garganta, um levantar de sobrancelhas sutil, uma preocupação carinhosa facilmente identificável em seu olhar e mãos que vacilavam inquietas sobre direção, em forma de movimentos nulos. Viu que eu o observava. Olhou-me então não menos delicadamente e partiu.
Há um barzinho a duas quadras de meu aparmento, foi lá onde o revi, após alguns meses, cinco ou seis. Tornamo-nos íntimos ... Assumimos um namoro e cheguei a desejá-lo para sempre.