Sentei-me na cama e fiquei a ouvir a conversa de nossos pais. O menino não se manifestava e isso fazia-me supor seu modo calado, ao menos à vista de outros. Estava imaginando se não me seria uma boa companhia, a suprir o vácuo que a ociosidade e os afazeres leves e descompromissados me traziam. Era gordinho e bonito.
Foi relutando bastante que, a chamado de meu pai, fui à sala. Sentei-me a seu lado e, enquanto ele se detinha no filme da tarde, detinha-me nele.
Depois lanchamos e nos despedimos, como se despedem crianças tímidas recém conhecidas.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
...
Pela porta da cosinha entrei em casa, mas como a possuí-la mais que anteriormente. Conhecia-na e isso me deixava satisfeita. Fui à sala e o vi sentado no sofá, de modo infantil e doce, o que talvez tenha me atraído, dada minha infância reclusa, tal como minha docilidade não compartilhada e aparentemente em dormência.
Nesse momento, gravado em mente com acrescida beleza, as infindáveis reações que me poderiam ocorrer ficaram retidas sobre o chão, sob meus pés. Corei. Disse ''oi'' à visita e corri ao quarto. Ajustei-me fantasiada.
Nesse momento, gravado em mente com acrescida beleza, as infindáveis reações que me poderiam ocorrer ficaram retidas sobre o chão, sob meus pés. Corei. Disse ''oi'' à visita e corri ao quarto. Ajustei-me fantasiada.
Primeiro Querer
Em casa não me sentia à vontade. Tudo aquilo que me deveria pertencer, pois pertencia à minha família era por mim visto com descrédito. Havia exeções, como meu quarto e a garagem. Nesse dia que busco relatar, eu estava na garagem, em busca de uma atividade que pudesse camuflar toda a ociosidade de minha infância. Não a encontrando, deitei-me sob o azulejo frio e permiti que minha imaginação fluida e impertinente emergisse. Ao abrir os olhos vi duas mãos, pequeninas e gordinhas sobre mim. Depois veio a cabeça toda, e dois olhos muito grandes a me encarar. Apreciei o momento... Quis levantar-me, embora hesitante, mas sem que pudesse fazê-lo as mãos gordas e os olhos grandes tinham se movido. Naquele momento perambulavam sobre a grama verde e em direção à porta da cozinha. Um homem alto e meu pai o acompanhavam. Tínhamos visita.
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